
"Não importa o quanto essa nossa vida nos obriga a ser sérios... Todos nós procuramos alguém para sonhar... brincar... amar... e tudo o que precisamos é de uma mão para segurar e um coração para nos entender."
quarta-feira, 31 de dezembro de 2008
A casa dentro de nós...........

sábado, 27 de dezembro de 2008
Insônia..........

Enquanto ouço o silêncio e busco cintilâncias no escuro do quarto, passeio o pensamento por desconfortos, alegrias, saudades, expectativas. Enquanto amarroto lençóis desembrulho pequenas e generosas lembranças ou destampo frascos de terríveis venenos.
Primeiro as preocupações comezinhas, as fisgadas da aflição, as contas intermináveis, a falta de tempo, a saúde. Depois o filme dentro da cabeça vai ficando mais denso, pastoso, pesado. E nós, assistência cativa, presos na sala de projeção, quase nunca escapamos dos filmes das nossas insônias. E assim, desfilam perante nossos olhos fechados ou abertos imagens fantásticas que voam e revoam enquanto as horas escorrem lentas, até sermos salvos pelo sono, pelo despertador ou pelos passarinhos, que não importa onde estejamos sempre surgem e anunciam o dia.
Na insônia, não há hierarquia, nem etiqueta, nem patente. As lembranças não pedem licença, apresentam-se, revelam-se, impõem-se mal educadas. De repente você se lembra daquelas pessoas que não passaram de figurantes na sua vida: a vizinha da sua avó, a cozinheira da escola, o segurança do supermercado. Lá estão os cadernos de caligrafia, a textura solene das toalhas engomadas, o aconchego dos cheiros familiares: bolo quente, a baunilha do mingau, a alfazema dos lençóis, o perfume da mãe. Sem querer, nem pra quê você pensa numa roupa que não usa há tempos, num restaurante que você gostava e deixou de ir ou num objeto que nunca mais viu e que deveria estar ali. Tem que ficar atento: a insônia é paranóica, tem mania de perseguição, de conspiração, gosta de drama mexicano. Outra coisa: a insônia mente, sonega, pertuba. Não ponha a mão no fogo por ela, nem compre um carro dela. Enfim, desconfie do que você decidir quando tiver insônia, lembre-se de que à noite todos os gatos são pardos e todos os pardos são gatos!
Listas! Insônia adora listas: de compromissos, de lugares já visitados, de convidados para festas imaginárias, de desafetos, ex-namorados, compras, viagens, amigas do ginásio.
A insônia tem parentesco com bibliotecárias, quer organizar, catalogar, arquivar bem arquivado tudo que não cabe em canto nenhum, coisas que se mexem, que transbordam, que fogem. A insônia tem ares de domadora, quer controlar tempestades, vendavais, acontecimentos mas no fundo é péssima conselheira, é ansiosa e destemperada. Às vezes, tem arroubos de sabedoria, é verdade, mas como advoga em causa própria constrói castelos em penhascos, inventa álibis, julga e condena com leviandade. É tirana, tem parte com carcereiros e torturadores, é cria de porões e masmorras.
A insônia é um arremedo mesquinho e patético do inferno. Aliás, a insônia é um supermercado de miniaturas de infernos. Nas prateleiras da insônia estão expostos todos os nossos infernos, inferninhos, infernaços. Os fantasmas, os pavores, os assombros, os remorsos, as revoltas. Tudo chega, confere, cutuca para depois diluir-se em vazios e esquecimento. Na insônia o desespero das horas lentas, dos becos sem saída, das orações não atendidas, dos pactos rompidos, dos diagnósticos decisivos, dos desencontros, dos mal-entendidos, das dívidas implacáveis, das dúvidas atrozes. O vôo randômico das imagens, as armadilhas da memória, as lembranças redentoras ou nocivas Tudo invade, visita, perpassa o pensamento. Palpitações, suores, arquejos, lágrimas e as horas a escorrer inclementes, esculpindo bolsas sob os olhos, olheiras, e pálpebras inchadas.
A insônia é uma espécie de locadora dos filmes da sua vida, arquivo vivo do que deveria estar morto ou esquecido. Na insônia, o rever enlouquecido dos acontecimentos, o repassar das brigas, das traições, dos mal-estares, dos estresses. Os impasses, as demissões, as conversas inadiáveis ensaiadas exaustivamente. As palavras ríspidas, ferinas, destrutivas ecoam desconfortáveis, ásperas, arranhando a consciência, abrindo feridas, destilando venenos. Ah, as palavras... São como insetos impertinentes a zunir e perturbar. As palavras duras, grosseiras, perversas ficam martelando insepultas. As palavras que nos feriram e as que calamos ficam murmurando ressentimentos, vinganças pois são obsessivas e rancorosas as palavras que habitam nossas insônias.
Mas, a insônia tem vida curta...
Enquanto nos debatemos em labirintos de espelhos e ecos, a noite tece a aurora com fios de luz até que o dia acontece com suas certezas simples e suas verdades ordinárias e nós também amanhecemos, libertos
quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
Quando o amor acaba............

Algo de irremediável e trágico acontece quando perdemos a certeza do amor de alguém ou quando acaba o amor que sentimos por outra pessoa.
Um sentimento infantil de desamparo e orfandade toma conta de tudo. Não é racional. Em algum lugar dos nossos corações guardamos algumas certezas que elegemos sagradas e eternas. São frutos do nosso desejo, das construções imaginárias, dos dogmas da alma.
É mais fácil realizar morte, separação, mudanças geográficas do que a idéia de que deixamos de ser importantes e amados ou quando percebemos que o sentimento, em nós, que julgávamos ser para sempre, caduca, expira, expia.
Algo se perde e não se transforma em nada, contrariando as leis da física e do afeto. O amor que se perde cai no vazio. Abre-se um vácuo, vira terra arrasada. Mesmo que venham outros amores, outros afetos, outras certezas, o que se perde é desperdício, ruína, silêncio. Mesmo que seja você quem tenha deixado de amar. Existe um profundo desconforto em deixar de amar alguém porque é uma parte de nós mesmos que estamos deixando de amar, é de uma parte da nossa história que estamos abrindo mão. Existe um descolamento, um deslocamento, um despojamento. Perde, quem deixa de amar e quem deixa de ser amado, não importam os motivos, os desacertos, os descaminhos.
Quando o amor acaba não há vencedores. Perde o amor. Quando acaba um amor, um afeto, instala-se um desencanto, um desalento. Sente-se encolher por dentro, vem uma preguiça enorme de começar de novo, uma insegurança absurda de não sentir-se amável novamente. Esvazia-se.
O amor que deixamos de ter ou sentir é como uma bênção que devolvemos. Pode ser um projeto que não tenha mais a sua cara, um sonho que não se realizou, uma receita falida, uma fórmula que se desgastou, uma decepção, um engano. O fato é que não se ama para se deixar de amar e quando isso acontece é sempre triste e frustrante.
Hilda Lucas
segunda-feira, 24 de novembro de 2008
Dedicatória............

sexta-feira, 21 de novembro de 2008
coisas que eu sei....

Eu quero ficar perto
De tudo o que acho certo
Até o dia em que eu mudar de opinião
A minha experiência
Meu pacto com a ciência
Meu conhecimento é minha distração
Coisas que eu sei
Eu adivinho sem ninguém ter me contado
Coisas que eu sei
O meu rádio relógio mostra o tempo errado
Aperte o play
Eu gosto do meu quarto
Do meu desarrumado
Ninguém sabe mexer na minha confusão
É o meu ponto de vista
Não aceito turistas
Meu mundo ta fechado pra visitação
Coisas que eu sei
O medo mora perto das idéias loucas
Coisas que eu sei
Se eu for eu vou assim não vou trocar de roupa
É minha Lei
Eu corto os meus dobrados
Acerto os meus pecados
Ninguém pergunta mais depois que eu já paguei
Eu vejo o filme em pausas
Eu imagino casas
Depois eu já nem lembro do que eu desenhei
Coisas que eu sei
Não guardo mais agendas no meu celular
Coisas que eu sei
Eu compro aparelhos que eu não sei usar
Eu já comprei
Ás vezes dá preguiça
Na areia movediça
Quanto mais eu mexo mais afundo em mim
Eu moro num cenário
Do lado imaginário
Eu entro e saio sempre quando eu tô afim
Coisas que eu sei
As noites ficam claras no raiar do dia
Coisas que eu sei
São coisas que antes eu somente não sabia...
Agora eu sei...
Não sei porque mais ultimamente essa música
esta mexendo muito comigo.......
quinta-feira, 6 de novembro de 2008
Desabafo...........

sábado, 1 de novembro de 2008
Como nossos pais.......
Não coma essa porcaria;
Não suba neste telhado;
Não entre neste rio;
..... quantas e quantas vezes ouvimos esses "NÃOS" em nossa vida.
Muitas vezes em nossa infância e adolescência questionamos os "nãos" o qual eramos condicionados a obedecer, sem entender que nossos pais estão nada mais que cumprindo com o extinto maternal, nos protegendo de alguma atitude impensada, convenhamos que em alguns casos eles exageram um pouco, mas tudo bem.
O que não compreendemos é que existe muito de nossos pais em nós mesmo e que da mesma maneira que o julgamos, um dia também seremos julgados.
Em alguns momentos, eles não são tão presentes o quanto gostaríamos, isso acontece quando já não tem mais o poder sobre nós e é exatamente nesse momento que essa semelhança se destaca.
Já me flagrei várias vezes falando ou agindo como minha mãe ou meu pai.
É ate um pouco assustador, o engraçado é nunca tive muito contato com meu pai para agir do mesmo modo que ele ( do mesmo modo em partes, pois tem coisas que não faria nem por decreto) talvez essa coisa do mesmo sangue correndo pelas veias seja mesmo verdade.
Talvez essa tal semelhança que nos afasta.
E apesar de algumas semelhanças continuamos sendo estranhos um para outro.
Talvez seja porque ele não fez parte dos "nãos" da minha vida.
Por isso só tenho que agradecer á minha MÃE por ter me ensinado muito.....