sábado, 18 de outubro de 2008

Distração...........


Quando me distraio esqueço que sou só. Traio a solidão. Saio da casca sem perceber. Lá vou eu, semente rompida, desafiando a luz e o ar. Buscando alturas.


Quando me distraio me afasto dos astros e clamo por desastres, desatenta aos perigos que a vida segura e planejada esconde. Saio na chuva, firo com ferro, brinco com fogo, semeio tempestade. Quero o avesso, o lado opaco do espelho, o talho na carne. Rio saciada porque viver nunca é demais e assim morte se diverte e me esquece.


Quando me distraio passeio minha tristeza e minha alegria, calmamente, lado a lado, indecentes, expostas, naturalmente minhas, como minha mão direita e minha mão esquerda. Passeio minha dor e meus medos como se não doessem nem assustassem e me compadeço da menina por detrás deles. Lá vou eu, distraída, cheia de sombras, risos, perdas e loucuras, em pleno sol do meio dia, no meio da rua, sem meios termos, inteira. Tudo que sinto é meu, de uma forma comovente, que eu só percebo quando me distraio.


Quando me distraio reencontro caminhos que nunca percorri, sonhos abandonados, amores esquecidos, curo algumas feridas, corrijo rumos e sinto saudades das coisas que não vivi e não senti, cujas lacunas ecoam e pulsam, como membros amputados.


Quando me distraio converso com os mortos e com os estranhos. Desfilo minha alma desnuda e meu corpo cansado seguida por um cortejo de anjos e demônios, mestres e algozes, pai, mãe e inimigos. Eu e todos, eu no todo. E nada me fere quando estou distraída porque distração é imunidade e bênção.


Quando me distraio desfaço os planos, desprezo os mapas, dispenso conselhos. Sigo solta, absorta, absolvida. Não sou só, não sou triste, não vou a parte alguma. Sou livre.


Quando me distraio esqueço o que sei, saio da fôrma, espicho o olhar, estendo a alma ao vento feito bandeira, feito asa e toco a eternidade, a plenitude, a saciedade e tudo que não vejo quando estou atenta.


É quando estou desarmada que a vida me encontra.


É quando estou prevenida e pretensiosamente preparada que a vida me erra e se perde de mim.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Não vou me adaptar

Que me desculpem os aventureiros, mas não gosto muito dessa idéia de mudança.
Claro que o mundo é grande demais para vivermos sempre no mesmo circulo fechado, mas tem coisas na vida da gente que devem ser conservadas eternamente.
Uma mudança repentina, interfere muito na vida de uma pessoa, na maneira de pensar, nos horários, nos costumes, nas amizades; você perde muitas coisas e ganha algumas outras, porem nada e nem ninguém é insubstituível.....
Sabe aquele lugar que você tanto adora.... você vai encontrar outros lugares interessantes, mas nenhum igual aquele lá....
E aquele amigo do peito que tanto ama..... você irá conhecer outras pessoas também, mas ninguém te conhecerá melhor e não será tão seu amigo como o outro, e por mais que dizem que a amizade verdadeira sempre permanece não importa a distância, eu discordo, o sentimento de carinho, afinidade, amizade, sim sempre permanecerão, mas com o tempo a distância dá espaço para a saudade e aquela amizade não será mais a mesma, pois viverá apenas do passado, das lembranças dos momentos bons e alegres, esquecendo de viver novos momentos.
As pessoas são todas diferentes e te tratam de maneira diferente.... e no meio de tanta mudança, algo dentro de você muda também, e nem sempre saberá explicar ou entender isso.... Apenas restará uma escolha, se conformar e viver a vida lembrando sempre de quem somos e de onde viemos........