É estranho, é como uma má criação que faço a mim mesma. É uma forma de sonegação. Um adiamento. Um contratempo inventado. Tudo vira desculpa, tudo me distrai, tudo me desvia. Me perco em bobagens, em devaneios, em burocracias, em desânimos. Sei o que devo fazer mas me boicoto, não faço acontecer, não compareço.
Me boicoto quando evito emoções por medo de vivê-las. Dou motivos coerentes, faço avaliações lógicas e críticas demolidoras só para justificar minha paralisia, minha insegurança mesmo sabendo que tudo que eu quero são novas e boas emoções. Me boicoto quando penso burramente que melhor não ter do que perder. Me boicoto quando rejeito mudanças e afasto o novo. Quando procuro as velhas fórmulas e repito as mesmas receitas. Quando caio nas mesmas armadilhas e piso nas mesmas cascas de banana. (E aquele cafajeste de plantão que é um tiro no pé? E a lista de decisões e desejos esquecida no fundo da gaveta? E a permissão para aquela amiga invejosa, baixo-astral, freqüentar a sua vida, vasculhar sua intimidade?).
Há boicote na aderência aos hábitos, no comodismo, na preguiça. Há boicote na idéia de que segurança e proteção são sinônimos invulnerabilidade e conforto. Há boicote quando nos trancamos em nossas gaiolas douradas ou celas de cadeia e deixamos a vida lá fora.
Me boicoto toda vez que o meu medo fica maior que o meu desejo. Toda vez que me encolho, me acomodo ou me deixo intimidar. Toda vez que aceito o destino como uma sentença, toda vez que me conformo ou visto carapuças. Me boicoto quando me invisto de culpas e desculpas que me afastam do que acredito e me faz bem e minto para mim mesma. Me boicoto toda vez que me acovardo.
Haverá boicote sempre que a coragem for menor que o sonho.
"Não importa o quanto essa nossa vida nos obriga a ser sérios... Todos nós procuramos alguém para sonhar... brincar... amar... e tudo o que precisamos é de uma mão para segurar e um coração para nos entender."
sábado, 4 de julho de 2009
quarta-feira, 17 de junho de 2009
Coisas da alma.....
Quando minha alma encolhe, vira uma bola diminuta que pesa como chumbo, como luto. Não aguenta me olhar nos olhos e vaga cabisbaixa, desconhecendo-se, estranhando-me.
Quando acuada, esconde-se em cantos escuros e eu só a encontro porque ela pesa demais, pulsa demais. Sigo o sulco que ela deixa por onde passa, arrastando-se penosamente.
Feito alma penada chora baixo, chora alto, range os dentes e me diz desaforos, me chama de burra, de covarde. Diz que me detesta e que se pudesse não seria minha.
Quando encurralada, minha alma mostra garras de fera e se diz refém da minha tristeza. Metida a valentona dá murros no ar, quer sair no braço, dar o troco.
Minha alma ferida tem raiva e se envenena, morde a língua, engole o sangue.
Minha alma enjaulada, aguarda muda a liberdade.
Quando minha alma encolhe, o espaço dentro de mim fica imenso e gelado como uma masmorra, oco como um tronco fulminado, vazio como um teatro abandonado. E ela vive inchada, expandida e leve, ocupando cada milímetro, soberana e radiante, perde-se perplexa, desamparada. Anda dentro de mim sem me ocupar por inteiro. Concentra-se num ponto e fica lá, aquecendo-se, esperneando, remoendo pensamentos, caraminholando planos mirabolantes. Deixo que ela fique onde bem entender pois nessas horas eu também não estou cabendo em canto algum. Somos solidárias, comparsas, temos uma a outra.
Ás vezes sinto que ela está no meio do meu peito, cravada como um punhal, latejando como uma coisa viva amordaçada, encruada. Fica lá, apertando meu coração, arranhando paredes, debatendo-se. Tem horas que ela fica quieta, adormece exausta de tanto não ser.
Outras vezes ela vai para minha cabeça e faz todo tipo de estrago. Primeiro ela me enche de formigamentos e pressões e eu acho que vou ter um derrame, cair dura. Depois ela acorda minhas lembranças e me faz despencar sobre o passado, rever todo tipo de cena enquanto eu oscilo entre a ternura e o desespero, entre a vertigem da perda e as certezas do meu coração.
Outro dia ela estava no meu estômago. Irrequieta, irritada, ameaçando sair pela minha boca e descer pelo ralo. Suicida, minha alma queria espatifar-se fora de mim, como peixe asfixiado em água envenenada acreditando ser possível viver fora daqueles limites.
Quando ela vai para os meus ouvidos é uma loucura. Fica soprando maledicências, blasfêmias e ladainhas cheias de auto-piedade. Atrevida, me acusa de negligência, incompetência. Me chama de mal agradecida.
Detesto quando ela vai para os meus pés e me faz andar como uma louca, varando madrugadas, percorrendo caminhos imaginários e outros já conhecidos. Fico exausta com os pés em brasas e as pernas doídas. Penso na mula-sem-cabeça que cavalgava meus pesadelos infantis com sua maldição de correr sem trégua nem sossego por toda a noite.
Minha alma assanhada vai de vez em quando para o meu sexo. Ah! Que alma descarada, essa minha...
Conversamos muito, minha alma e eu. Às vezes ela se faz de surda e finge que não sabe nem vê tudo que se passa comigo. Quando tem tempo, quer ouvir tudo da minha própria boca, tintim por tintim. Conto tudo a ela, choro no seu ombro, sento no seu colo e digo que não quero que ela me diga nada que não seja bom. Nenhuma previsão negativa. Só quero saber de final feliz. Minha alma "Doris Day" aciona mil finais felizes com encontros lacrimosos e juras de amor eterno. E eu acredito nela, nem sei por quê. Talvez por que estejamos as duas viciadas em ser alegres, talvez por que eu seja gêmea dela, talvez seja apenas por que almas não mentem ou pensam que não mentem.
Minha alma vira-lata adora carinho, cafuné. Vai logo abanando o rabo, se enroscando, se derretendo. Doida pra ser feliz, minha alma tem mania de dizer sim à vida e ter esperança. Esperta e vivida, ela sabe que tudo passa e, enquanto espera, ensaia passos de dança, risadas, e acima de tudo, exercita as asas, desenhando estradas no céu. Pragmática, ela sabe que não dá para ficar encolhida para sempre. Antiga, ela sabe que o novo sempre vem.
Quando dorme, sonha que voa, minha alma passarinho.
Incansável, minha alma desperta desperta todo dia dizendo: Acorda pra vida, amiga!
Quando acuada, esconde-se em cantos escuros e eu só a encontro porque ela pesa demais, pulsa demais. Sigo o sulco que ela deixa por onde passa, arrastando-se penosamente.
Feito alma penada chora baixo, chora alto, range os dentes e me diz desaforos, me chama de burra, de covarde. Diz que me detesta e que se pudesse não seria minha.
Quando encurralada, minha alma mostra garras de fera e se diz refém da minha tristeza. Metida a valentona dá murros no ar, quer sair no braço, dar o troco.
Minha alma ferida tem raiva e se envenena, morde a língua, engole o sangue.
Minha alma enjaulada, aguarda muda a liberdade.
Quando minha alma encolhe, o espaço dentro de mim fica imenso e gelado como uma masmorra, oco como um tronco fulminado, vazio como um teatro abandonado. E ela vive inchada, expandida e leve, ocupando cada milímetro, soberana e radiante, perde-se perplexa, desamparada. Anda dentro de mim sem me ocupar por inteiro. Concentra-se num ponto e fica lá, aquecendo-se, esperneando, remoendo pensamentos, caraminholando planos mirabolantes. Deixo que ela fique onde bem entender pois nessas horas eu também não estou cabendo em canto algum. Somos solidárias, comparsas, temos uma a outra.
Ás vezes sinto que ela está no meio do meu peito, cravada como um punhal, latejando como uma coisa viva amordaçada, encruada. Fica lá, apertando meu coração, arranhando paredes, debatendo-se. Tem horas que ela fica quieta, adormece exausta de tanto não ser.
Outras vezes ela vai para minha cabeça e faz todo tipo de estrago. Primeiro ela me enche de formigamentos e pressões e eu acho que vou ter um derrame, cair dura. Depois ela acorda minhas lembranças e me faz despencar sobre o passado, rever todo tipo de cena enquanto eu oscilo entre a ternura e o desespero, entre a vertigem da perda e as certezas do meu coração.
Outro dia ela estava no meu estômago. Irrequieta, irritada, ameaçando sair pela minha boca e descer pelo ralo. Suicida, minha alma queria espatifar-se fora de mim, como peixe asfixiado em água envenenada acreditando ser possível viver fora daqueles limites.
Quando ela vai para os meus ouvidos é uma loucura. Fica soprando maledicências, blasfêmias e ladainhas cheias de auto-piedade. Atrevida, me acusa de negligência, incompetência. Me chama de mal agradecida.
Detesto quando ela vai para os meus pés e me faz andar como uma louca, varando madrugadas, percorrendo caminhos imaginários e outros já conhecidos. Fico exausta com os pés em brasas e as pernas doídas. Penso na mula-sem-cabeça que cavalgava meus pesadelos infantis com sua maldição de correr sem trégua nem sossego por toda a noite.
Minha alma assanhada vai de vez em quando para o meu sexo. Ah! Que alma descarada, essa minha...
Conversamos muito, minha alma e eu. Às vezes ela se faz de surda e finge que não sabe nem vê tudo que se passa comigo. Quando tem tempo, quer ouvir tudo da minha própria boca, tintim por tintim. Conto tudo a ela, choro no seu ombro, sento no seu colo e digo que não quero que ela me diga nada que não seja bom. Nenhuma previsão negativa. Só quero saber de final feliz. Minha alma "Doris Day" aciona mil finais felizes com encontros lacrimosos e juras de amor eterno. E eu acredito nela, nem sei por quê. Talvez por que estejamos as duas viciadas em ser alegres, talvez por que eu seja gêmea dela, talvez seja apenas por que almas não mentem ou pensam que não mentem.
Minha alma vira-lata adora carinho, cafuné. Vai logo abanando o rabo, se enroscando, se derretendo. Doida pra ser feliz, minha alma tem mania de dizer sim à vida e ter esperança. Esperta e vivida, ela sabe que tudo passa e, enquanto espera, ensaia passos de dança, risadas, e acima de tudo, exercita as asas, desenhando estradas no céu. Pragmática, ela sabe que não dá para ficar encolhida para sempre. Antiga, ela sabe que o novo sempre vem.
Quando dorme, sonha que voa, minha alma passarinho.
Incansável, minha alma desperta desperta todo dia dizendo: Acorda pra vida, amiga!
domingo, 14 de junho de 2009
A via Láctea......
Quando tudo está perdido
Sempre existe um caminho
Quando tudo está perdido
Sempre existe uma luz
Mas não me diga isso
Hoje a tristeza não é passageira
Hoje fiquei com febre a tarde inteira
E quando chegar a noite
Cada estrela parecerá uma lágrima
Queria ser como os outros
E rir das desgraças da vida
Ou fingir estar sempre bem
Ver a leveza das coisas com humor
Mas não me diga isso!
É só hoje e isso passa...
Só me deixe aqui quietoIsso passa.
Amanhã é outro dia
Não é?
Eu nem sei por quê me sinto assim
Vem de repente um anjo triste perto de mim
E essa febre que não passaE meu sorriso sem graça
Não me dê atenção
Mas obrigado por pensar em mim.
Quando tudo está perdido
Sempre existe uma luz
Quando tudo está perdido
Sempre existe um caminho
Quando tudo está perdido
Eu me sinto tão sozinho
Quando tudo está perdido
Não quero mais ser quem eu sou.
Mas não me diga isso
Não me dê atenção
E obrigado por pensar em mim...
Sempre existe um caminho
Quando tudo está perdido
Sempre existe uma luz
Mas não me diga isso
Hoje a tristeza não é passageira
Hoje fiquei com febre a tarde inteira
E quando chegar a noite
Cada estrela parecerá uma lágrima
Queria ser como os outros
E rir das desgraças da vida
Ou fingir estar sempre bem
Ver a leveza das coisas com humor
Mas não me diga isso!
É só hoje e isso passa...
Só me deixe aqui quietoIsso passa.
Amanhã é outro dia
Não é?
Eu nem sei por quê me sinto assim
Vem de repente um anjo triste perto de mim
E essa febre que não passaE meu sorriso sem graça
Não me dê atenção
Mas obrigado por pensar em mim.
Quando tudo está perdido
Sempre existe uma luz
Quando tudo está perdido
Sempre existe um caminho
Quando tudo está perdido
Eu me sinto tão sozinho
Quando tudo está perdido
Não quero mais ser quem eu sou.
Mas não me diga isso
Não me dê atenção
E obrigado por pensar em mim...
domingo, 24 de maio de 2009
As aparências enganam.......
Putz, detesto essa mania de julgamento pela aparência
cada um é cada um, não é porque você tem um costume diferente
que você é DIFERENTE de ALGUÉM.....
Temos que APRENDER conhecer primeiro para depois julgar, criticar....
Algumas pessoas dizem que sou muito séria, e que não gostam de mim porque APARENTO ser arrogante.... agora pergunto, quando e quantas vezes essa pessoa conversou comigo???
o que ela sabe de mim e da minha vida???
nada né...... Elas acham que tenho OBRIGAÇÃO de chegar falando com todos, de ficar contando sobre minha vida, o que eu faço.... ahhh dá licença!!!!!
Falo com quem acho que devo falar, e o que faço da minha vida não diz respeito a ninguém...
Comento apenas com pessoas mais próximas.... Isso se chama DISCRIÇÃO e não ARROGÂNCIA.... é tão simples.....
### Se olhares em mim verás...não sou tão má quanto pensas; apenas não sou tão corajosa como imaginas...pareço forte mais no fundo sou fraca; fera porém sou bela, as vezes chata mais no meu íntimo há sentimentos diversospareço metida porém se olhares em meu semblante com seu coração verás apenas humildade, calma sempre...posso até parecer solitária ...é que realmente tenho poucos amigos...a diferença é que os poucos que tenho não valem metade de um seu ...pense nisso depois me julgue lembre-se que se me julga pela aparencia...sou apenas o reflexo de sua ignorância...####
cada um é cada um, não é porque você tem um costume diferente
que você é DIFERENTE de ALGUÉM.....
Temos que APRENDER conhecer primeiro para depois julgar, criticar....
Algumas pessoas dizem que sou muito séria, e que não gostam de mim porque APARENTO ser arrogante.... agora pergunto, quando e quantas vezes essa pessoa conversou comigo???
o que ela sabe de mim e da minha vida???
nada né...... Elas acham que tenho OBRIGAÇÃO de chegar falando com todos, de ficar contando sobre minha vida, o que eu faço.... ahhh dá licença!!!!!
Falo com quem acho que devo falar, e o que faço da minha vida não diz respeito a ninguém...
Comento apenas com pessoas mais próximas.... Isso se chama DISCRIÇÃO e não ARROGÂNCIA.... é tão simples.....
### Se olhares em mim verás...não sou tão má quanto pensas; apenas não sou tão corajosa como imaginas...pareço forte mais no fundo sou fraca; fera porém sou bela, as vezes chata mais no meu íntimo há sentimentos diversospareço metida porém se olhares em meu semblante com seu coração verás apenas humildade, calma sempre...posso até parecer solitária ...é que realmente tenho poucos amigos...a diferença é que os poucos que tenho não valem metade de um seu ...pense nisso depois me julgue lembre-se que se me julga pela aparencia...sou apenas o reflexo de sua ignorância...####
sexta-feira, 15 de maio de 2009
Timing é tudo....
É a sincronia das infinitas possibilidades e das remotas probabilidades, do acaso, do milagre e do desastre.
É a extravagância do big bang; a microscópica plenitude da concepção; o átimo de eternidade onde se dão os encontros.
Timing é a proteção do acaso; a centelha da revelação; o vislumbre do abismo; a conspiração cósmica, o deboche do diabo, o sorriso dos deuses.
Timing é olho no olho, o encontro com o estranho, o sinal aberto ou fechado, o caminho depois. É o sopro que mesmo invisível é percebido como ventania; é o leve ondular do sangue na veia; o arrepio na pele; o calor no sexo.
Timing é ausência ou suspensão, ou quem sabe apoteose do tempo que para por uma fração impossível que só a intuição ousa sentir. É a supressão da marcha implacável, é a recriação, é o breque da bateria, é o suspiro e não a respiração, é a breve lembrança do sonho antes que dele se esqueça, é o despertar, qualquer despertar, o sorriso da sorte, o voo fugidio da esperança, é flash, relâmpago, susto.
Timing é o contratempo do tempo, sutil, imperceptível, terrível e fortuito; é a cauda do cometa, o eclipse, a explosão, erupção.
Timing é o trem certo passando em velocidade inédita, parando inexplicavelmente, fazendo um convite irrecusável, mudando destino, caminho, olhar. Timing é entrar ou não no trem e redesenhar o futuro.
Timing é o fugaz que se materializa; é o brilho no olho do sábio, o luzir do ouro do tolo, o sopro que apaga a vela, o flagrante da traição. É o bote da víbora, a rapidez do antídoto.
Timing é tudo; é a possibilidade do milagre; a fatalidade da tragédia; é o rastro da felicidade ou do desastre; é o que se desnuda ou o que se veda entre o piscar de olhos e a revelação ou a cegueira; é o deleite do toque ou a esterilidade da separação; o estorvo da palavra ou o conforto do silêncio. É o leque de escolhas, decisões, ímpetos, desvios, sins e nãos, que se sucedem inesgotavelmente enquanto o tempo pulsa e a vida segue inclemente seu curso.
Timing é o ponto antes da ponte ou do precipício; é a escolha entre o voo e a vida; entre o abismo e a sanidade.
Timing é fruição, fluidez, pulsação; é inclemência e danação; É permissão, contentamento, sincronicidade; é impulso criativo, intuição, fé e punição; desacerto e desatino; entrega e violação.
Timing é a bala perdida no peito desavisado; é o raio que parte; a curva fatal, o gol, a casca de banana, o telefone no meio da noite, o delírio do terrorista, o êxtase do santo. O laço, o passo, o descompasso.É tudo o que acontece ou não, perceptível ou não, que muda o curso da sorte, do sangue, do riso, antecipando amores, abandonos, descobertas, criações, fatos.
É o fatal, o banal, o cômico, o romântico, o prosaico; o tombo na rua, o bolo solado, o pivete no farol, a pane no motor, o tumor, o vírus oportunista, o verso perfeito.
Não nascemos nem morremos sem timing. Timing não é véspera nem adiamento, é o presente capturado.
É você e a humanidade, no meio dos acontecimentos, de passagem ou não, respirando o hálito de Deus, ouvindo a roda da fortuna ranger, o rufar dos tambores dos homens, o soar das trombetas dos anjos. É você e a humanidade, no meio da roda, consciente ou não, testemunhando a fragilidade, a inexorabilidade, o inevitável.
Timing é a vida e tudo o que acontece, estando você atento ou não, entre diminutas eternidades, vírgulas, exclamações e reticências do texto cósmico da breve história de todos nós.
É a extravagância do big bang; a microscópica plenitude da concepção; o átimo de eternidade onde se dão os encontros.
Timing é a proteção do acaso; a centelha da revelação; o vislumbre do abismo; a conspiração cósmica, o deboche do diabo, o sorriso dos deuses.
Timing é olho no olho, o encontro com o estranho, o sinal aberto ou fechado, o caminho depois. É o sopro que mesmo invisível é percebido como ventania; é o leve ondular do sangue na veia; o arrepio na pele; o calor no sexo.
Timing é ausência ou suspensão, ou quem sabe apoteose do tempo que para por uma fração impossível que só a intuição ousa sentir. É a supressão da marcha implacável, é a recriação, é o breque da bateria, é o suspiro e não a respiração, é a breve lembrança do sonho antes que dele se esqueça, é o despertar, qualquer despertar, o sorriso da sorte, o voo fugidio da esperança, é flash, relâmpago, susto.
Timing é o contratempo do tempo, sutil, imperceptível, terrível e fortuito; é a cauda do cometa, o eclipse, a explosão, erupção.
Timing é o trem certo passando em velocidade inédita, parando inexplicavelmente, fazendo um convite irrecusável, mudando destino, caminho, olhar. Timing é entrar ou não no trem e redesenhar o futuro.
Timing é o fugaz que se materializa; é o brilho no olho do sábio, o luzir do ouro do tolo, o sopro que apaga a vela, o flagrante da traição. É o bote da víbora, a rapidez do antídoto.
Timing é tudo; é a possibilidade do milagre; a fatalidade da tragédia; é o rastro da felicidade ou do desastre; é o que se desnuda ou o que se veda entre o piscar de olhos e a revelação ou a cegueira; é o deleite do toque ou a esterilidade da separação; o estorvo da palavra ou o conforto do silêncio. É o leque de escolhas, decisões, ímpetos, desvios, sins e nãos, que se sucedem inesgotavelmente enquanto o tempo pulsa e a vida segue inclemente seu curso.
Timing é o ponto antes da ponte ou do precipício; é a escolha entre o voo e a vida; entre o abismo e a sanidade.
Timing é fruição, fluidez, pulsação; é inclemência e danação; É permissão, contentamento, sincronicidade; é impulso criativo, intuição, fé e punição; desacerto e desatino; entrega e violação.
Timing é a bala perdida no peito desavisado; é o raio que parte; a curva fatal, o gol, a casca de banana, o telefone no meio da noite, o delírio do terrorista, o êxtase do santo. O laço, o passo, o descompasso.É tudo o que acontece ou não, perceptível ou não, que muda o curso da sorte, do sangue, do riso, antecipando amores, abandonos, descobertas, criações, fatos.
É o fatal, o banal, o cômico, o romântico, o prosaico; o tombo na rua, o bolo solado, o pivete no farol, a pane no motor, o tumor, o vírus oportunista, o verso perfeito.
Não nascemos nem morremos sem timing. Timing não é véspera nem adiamento, é o presente capturado.
É você e a humanidade, no meio dos acontecimentos, de passagem ou não, respirando o hálito de Deus, ouvindo a roda da fortuna ranger, o rufar dos tambores dos homens, o soar das trombetas dos anjos. É você e a humanidade, no meio da roda, consciente ou não, testemunhando a fragilidade, a inexorabilidade, o inevitável.
Timing é a vida e tudo o que acontece, estando você atento ou não, entre diminutas eternidades, vírgulas, exclamações e reticências do texto cósmico da breve história de todos nós.
sexta-feira, 17 de abril de 2009
As Pessoas.....
As pessoas não se envolvem mais com nada nem ninguém. As pessoas são de um egoísmo atroz, só pensam em se dar bem, são individualistas, superficiais, interesseiras. As pessoas se medem pelas aparências, são vaidosas, fúteis, se acham... Não têm escrúpulos nem valores, têm uma ética volátil.
As pessoas se acostumaram com vulgaridade, corrupção, banalizaram o escândalo, não se indignam nem se espantam, são omissas. As pessoas são toscas, não sabem votar, não têm memória, merecem o governo que têm. Estão loucas; exibem-se na internet, expõem-se de forma absurda e acham tudo normal. São tão desinteressantes, tão óbvias, tão previsíveis. Ai!, que preguiça que elas dão...
As pessoas não respeitam as pessoas. Sejam os vizinhos, os colegas de trabalho, os outros motoristas, os pedestres, os idosos, a cidade onde moram. São mal educadas, barulhentas, espaçosas. É incrível, como as pessoas não se conhecem, não se percebem, não se aceitam! São carentes, grudentas, neuróticas...
Falamos coisas assim o tempo todo: as pessoas isso, as pessoas aquilo. E eu, que não sou diferente de ninguém, que vivo me assombrando e criticando as pessoas, de repente me pergunto: quem são elas? Quem são as pessoas, essas entidades, eminências pardas que como vírus nos ameaçam, como insetos nos irritam e como demônios nos assustam? Quem são esses seres sem cara, sem forma, sem nome que nos mostram avessos, fraquezas, desvios que tanto nos repugnam? Quem são esses tipos tão inferiores, vis e repulsivos que nos permitem julgá-los com tanta arrogância, severidade e distanciamento?
Quem são esses indivíduos que não merecem nosso respeito, nossa compaixão, nossa generosidade? Quem são esses que colocamos na berlinda, levamos à forca, pomos de quarentena e desconsideramos como iguais? Quem são esses bárbaros, cidadãos de segunda classe, a quem criticamos de uma tribuna confortável, asséptica, inoculada? Quem são esses espectros, esses arremedos, esses rascunhos que só merecem nosso rigor, zombaria e horror? Quem são esses indivíduos que não merecem nosso respeito, nossa compaixão, nossa generosidade? Quem são esses que colocamos na berlinda, levamos à forca, pomos de quarentena e desconsideramos como iguais? Quem são esses bárbaros, cidadãos de segunda classe, a quem criticamos de uma tribuna confortável, asséptica, inoculada? Quem são esses espectros, esses arremedos, esses rascunhos que só merecem nosso rigor, zombaria e horror?
Quem somos nós senão as pessoas a quem os outros se referem? As pessoas são os outros, o nosso inferno. E ¨os outros somos nós, como diria um certo senhor francês.
As pessoas são nosso lado B, nosso espelho mágico inclemente, nossos bodes expiatórios, nossas sombras, nossos dedos em riste, nossos algozes, nossos juízes, nossos demônios. Difícil suportá-las.
Nós, os outros... Pertencemos todos à terrível categoria Das Pessoas; somos farinha do mesmo saco, baba do mesmo quiabo, restos do mesmo baile, faces da mesma moeda, co-réus das mesmas sentenças. Assistimos todos ao mesmo espetáculo, somos coadjuvantes do mesmo drama, rolamos ladeira acima a mesma pedra, queimamo-nos, para o bem e para o mal, com o mesmo fogo, sentimos medos idênticos de forma diferente, esperamos milagres distintos com a mesma fé, tememos a vida e a morte em uníssono. Estranhos com as mesmas entranhas. Mesma espécie. Mesma essência. Mesmo barro. Mesmo pó. Criaturas. Irmãos. Semelhantes.
Somos nós. Somos os outros.
As pessoas se acostumaram com vulgaridade, corrupção, banalizaram o escândalo, não se indignam nem se espantam, são omissas. As pessoas são toscas, não sabem votar, não têm memória, merecem o governo que têm. Estão loucas; exibem-se na internet, expõem-se de forma absurda e acham tudo normal. São tão desinteressantes, tão óbvias, tão previsíveis. Ai!, que preguiça que elas dão...
As pessoas não respeitam as pessoas. Sejam os vizinhos, os colegas de trabalho, os outros motoristas, os pedestres, os idosos, a cidade onde moram. São mal educadas, barulhentas, espaçosas. É incrível, como as pessoas não se conhecem, não se percebem, não se aceitam! São carentes, grudentas, neuróticas...
Falamos coisas assim o tempo todo: as pessoas isso, as pessoas aquilo. E eu, que não sou diferente de ninguém, que vivo me assombrando e criticando as pessoas, de repente me pergunto: quem são elas? Quem são as pessoas, essas entidades, eminências pardas que como vírus nos ameaçam, como insetos nos irritam e como demônios nos assustam? Quem são esses seres sem cara, sem forma, sem nome que nos mostram avessos, fraquezas, desvios que tanto nos repugnam? Quem são esses tipos tão inferiores, vis e repulsivos que nos permitem julgá-los com tanta arrogância, severidade e distanciamento?
Quem são esses indivíduos que não merecem nosso respeito, nossa compaixão, nossa generosidade? Quem são esses que colocamos na berlinda, levamos à forca, pomos de quarentena e desconsideramos como iguais? Quem são esses bárbaros, cidadãos de segunda classe, a quem criticamos de uma tribuna confortável, asséptica, inoculada? Quem são esses espectros, esses arremedos, esses rascunhos que só merecem nosso rigor, zombaria e horror? Quem são esses indivíduos que não merecem nosso respeito, nossa compaixão, nossa generosidade? Quem são esses que colocamos na berlinda, levamos à forca, pomos de quarentena e desconsideramos como iguais? Quem são esses bárbaros, cidadãos de segunda classe, a quem criticamos de uma tribuna confortável, asséptica, inoculada? Quem são esses espectros, esses arremedos, esses rascunhos que só merecem nosso rigor, zombaria e horror?
Quem somos nós senão as pessoas a quem os outros se referem? As pessoas são os outros, o nosso inferno. E ¨os outros somos nós, como diria um certo senhor francês.
As pessoas são nosso lado B, nosso espelho mágico inclemente, nossos bodes expiatórios, nossas sombras, nossos dedos em riste, nossos algozes, nossos juízes, nossos demônios. Difícil suportá-las.
Nós, os outros... Pertencemos todos à terrível categoria Das Pessoas; somos farinha do mesmo saco, baba do mesmo quiabo, restos do mesmo baile, faces da mesma moeda, co-réus das mesmas sentenças. Assistimos todos ao mesmo espetáculo, somos coadjuvantes do mesmo drama, rolamos ladeira acima a mesma pedra, queimamo-nos, para o bem e para o mal, com o mesmo fogo, sentimos medos idênticos de forma diferente, esperamos milagres distintos com a mesma fé, tememos a vida e a morte em uníssono. Estranhos com as mesmas entranhas. Mesma espécie. Mesma essência. Mesmo barro. Mesmo pó. Criaturas. Irmãos. Semelhantes.
Somos nós. Somos os outros.
sexta-feira, 3 de abril de 2009
Coração...........

Rifa-se um coração.
Rifa-se um coração quase novo.
Um coração idealista.
Um coração como poucos.
Um coração à moda antiga.
Um coração moleque que insiste em pregar peças no seu usuário.
Rifa-se um coração que na realidade está um
pouco usado, meio calejado, muito machucado
e que teima em alimentar sonhos e, cultivar ilusões.
Um pouco inconseqüente que nunca desistede acreditar nas pessoas.
Um leviano e precipitado coração
que acha que Tim Maia
estava certo quando escreveu...
"...não quero dinheiro, eu quero amor sincero,
é isso que eu espero...".
Um idealista...Um verdadeiro sonhador...
Rifa-se um coração que nunca aprende.
Que não endurece, e mantém sempre viva a
esperança de ser feliz, sendo simples e natural.
Um coração insensato que comanda o racional
sendo louco o suficiente para se apaixonar.
Um furioso suicida que vive procurando relações e emoções verdadeiras.
Rifa-se um coração que insiste em cometer sempre os mesmos erros.
Esse coração que erra, briga, se expõe.
Perde o juízo por completo em nome de causas e paixões.
Sai do sério e, às vezes revê suas posições
arrependido de palavras e gestos.
este coração tantas vezes incompreendido.
Tantas vezes provocado.
Tantas vezes impulsivo.
Rifa-se este desequilibrado emocional
que abre sorrisos tão largos que quase dá
pra engolir as orelhas, mas que também arranca lágrimas
e faz murchar o rosto.
Um coração para ser alugado, ou mesmo utilizado
por quem gosta de emoções fortes.
Um órgão abestado indicado apenas para
quem quer viver intensamente
contra indicado para os que apenas pretendem
passar pela vida matando o tempo,
defendendo-se das emoções.Rifa-se um coração tão inocente
que se mostra sem armaduras
e deixa louco o seu usuário.
Um coração que quando parar de bater
ouvirá o seu usuário dizer
para São Pedro na hora da prestação de contas:
"O Senhor pode conferir. Eu fiz tudo certo,
só errei quando coloquei sentimento.
Só fiz bobagens e me dei mal
quando ouvi este louco coração de criança
que insiste em não endurecer e,
se recusa a envelhecer"
Rifa-se um coração, ou mesmo troca-se por
outro que tenha um pouco mais de juízo.
Um órgão mais fiel ao seu usuário.
Um amigo do peito que não maltrate
tanto o ser que o abriga.
Um coração que não seja tão inconseqüente.
Rifa-se um coração cego, surdo e mudo,
mas que incomoda um bocado.
Um verdadeiro caçador de aventuras que ainda
não foi adotado, provavelmente, por se recusar
a cultivar ares selvagens ou racionais,
por não querer perder o estilo.
Oferece-se um coração vadio,
sem raça, sem pedigree.
Um simples coração humano.
Um impulsivo membro de comportamento
até meio ultrapassado.
Um modelo cheio de defeitos que,
mesmo estando fora do mercado,
faz questão de não se modernizar,
mas vez por outra,
constrange o corpo que o domina.
Um velho coração que convence
seu usuário a publicar seus segredos
e a ter a petulância de se aventurar como poeta
Clarice Lispector
Assinar:
Postagens (Atom)